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A luta de Letícia Bufoni para superar preconceitos contra 'esporte de menino' e até maneira se vestir no skate: 'Me criticaram muito'

A luta de Letícia Bufoni para superar preconceitos contra "esporte de menino" e se vestir no skate

No dia 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data simboliza a luta histórica das mulheres em busca de condições iguais às dos homens e contra diversos tipos de preconceito contra o sexo feminino. Letícia Bufoni, uma das principais atletas do skate brasileiro, sofreu de perto no início da sua vida pessoal e esportiva.

Antes mesmo de virar uma ícone na modalidade, ela superou o preconceito de praticar um "esporte de menino" e viu críticas direcionadas até mesmo o estilo. Precursora de um movimento que hoje tem Rayssa Leal como grande expoente, Letícia, em entrevista exclusiva à ESPN, relembrou sua trajetória com origem na Vila Matilde, Zona Leste de São Palo, o feito de ser pioneira no esporte e virar uma empresária de sucesso.

Rayssa Leal se recupera, supera adversárias e é campeã da SLS SidneyESPN.com.br.

Antes de chegar ao final, é preciso voltar para a sua infância, marcada por barulho de uma "maquita" cortando a madeira que mudou a sua vida. Poderia ser apenas um barulho de uma construção. Mas, para Letícia Bufoni, aos dez anos de idade, aquele som foi o estalo de um coração partido.

O pai, preocupado com a filha, que era a única menina entre os garotos da região onde moravam, decidiu dar um ponto final àquela "brincadeira de menino". O shape foi reduzido a entulho. O choro durou a noite inteira.

Mas, no dia seguinte, a mesma menina que viu o sonho ser serrado ao meio, peguei um skate emprestado, montou as peças e voltou para a rua. Ali, o pai de Letícia entendeu: não era uma fase. Era um destino.

"Aquele dia, para mim, foi o fim. Achei que nunca mais ia voltar a andar. No dia seguinte, peguei um shape usado com um amigo e continuei. Foi quando meu pai viu que não ia ter jeito me proibir, que seria pior", relembra Letícia.

Hoje, aos 32 anos, a skatista multicampeã olha para trás e percebe que aquele corte no shape foi apenas o primeiro de muitos preconceitos que precisaria "atropelar". Se o início foi marcado pela solidão de ser a única menina do bairro, a maturidade a colocou no centro de uma revolução estética e cultural no esporte.

A "bolha" e a calça legging do escândalo

A trajetória de Letícia não foi apenas sobre acertar o kickflip perfeito. Foi sobre furar bolhas. Quando chegou aos Estados Unidos, aos 14 anos, ela não queria apenas ser mais uma competidora. Letícia, em entrevista exclusiva à ESPN, relembrou sua trajetória com origem na Vila Matilde, Zona Leste de São Palo, o feito de ser pioneira no esporte e virar uma empresária de sucesso.

Rayssa Leal se recupera, supera adversárias e é campeã da SLS SidneyESPN.com.br.

Antes de chegar ao final, é preciso voltar para a sua infância, marcada por barulho de uma "maquita" cortando a madeira que mudou a sua vida. Poderia ser apenas um barulho de uma construção. Mas, para Letícia Bufoni, aos dez anos de idade, aquele som foi o estalo de um coração partido.

O conselho para a Letícia de 10 anos

Se pudesse voltar àquela noite de choro de anos atrás, quando o skate estava partido no chão da sala, Letícia sabe exatamente o que diria para a criança que sonhava "baixo":

"Eu nunca imaginei que viveria o que vivo hoje. Eu sonhei baixo para tudo o que aconteceu. O que eu digo é: nunca deixe ninguém dizer que você não pode porque é mulher. O lugar da mulher é em qualquer lugar. É só lutar muito e ser uma pessoa boa", finaliza a skatista que, mais do que medalhas, colecionas tabus quebrados.

A luta de Letícia Bufoni é um testemunho da força da humanidade e da importância de superar preconceitos. Ela se levanta com um espírito inquebrantável e continua a lutar, não apenas no esporte, mas na sociedade como um todo.


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