A doutrina Trump e a ameaça à paz no Brasil: Por que a invasão da Venezuela é um alerta para 2026
A recente invasão militar da Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, pelo regime de Donald Trump acendeu um alerta sobre a soberania brasileira e a ascensão da extrema direita na América Latina.
Este cenário é analisado por Sabrina Fernandes em sua newsletter "No Fim do Túnel", que explora a intersecção entre ecologia, poder econômico e política global.
Logo no início do ano, a comunidade internacional ficou estarrecida com as ações de Trump, que, em vez de seguir o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional contra Benjamin Netanyahu, decidiu intensificar sua postura imperialista na região. O presidente americano, agora livre para realizar ações militares sem respaldo legal, mostra-se cada vez mais audacioso.
Trump não apenas sequestrou Maduro, mas também ameaça nações vizinhas, como a Colômbia, enquanto retoma sua narrativa de dominação global. Diferentemente de presidentes anteriores, ele não se preocupa em apresentar a invasão como uma missão de democratização. Sua aliança com Maria Corina Machado, líder da extrema direita, parece mais uma estratégia para deslegitimar Maduro do que um verdadeiro apoio à oposição.
A estratégia de Trump parece ser a de manter um governo na Venezuela que não interfira nos interesses dos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito ao controle do petróleo venezuelano. Essa abordagem híbrida permite que ele manipule a situação sem uma mudança de regime abrupta, apesar do apoio popular que ainda existe ao PSUV.
A relação de Trump com a Venezuela remonta a décadas, ligada à nacionalização da indústria petrolífera. O presidente americano considera legítimo tentar reverter essa política, visando recuperar os lucros perdidos pelas empresas americanas. Sua falta de preocupação com as repercussões internacionais revela um desprezo pela soberania de outros países, enquanto a divisão global se acentua.
Com a normalização da ocupação da Venezuela, Trump busca não apenas explorar recursos, mas também controlar o mercado e pressionar governos menos alinhados com suas políticas. O imperialismo extrativista, que visa dominar a região, é uma ameaça constante.
As implicações para a América Latina são severas. A atenção de Trump para reservas em países vizinhos, como a Guiana, e sua hostilidade em relação a líderes que não se alinham com seus interesses, como Gustavo Petro, são indicadores claros de que a região deve se preparar para possíveis intervenções.
A retórica de Trump, que busca uma narrativa de salvador, se assemelha ao discurso utilizado em suas intervenções passadas. A ideologia que permeia sua administração reflete um desprezo pelas normas internacionais e uma busca por controle absoluto.
As alianças com líderes da extrema direita na América Latina, como Javier Milei na Argentina, evidenciam um padrão de subserviência em troca de apoio político. A manipulação da política brasileira, com figuras como Eduardo Bolsonaro tentando envolver os Estados Unidos em questões internas, expõe a fragilidade da soberania nacional.
A extrema direita brasileira, alinhada aos interesses de Trump, coloca em risco não apenas a soberania do Brasil, mas também o futuro da América Latina como um todo. O uso de forças externas para assegurar o poder político revela o desprezo por acordos históricos e pela autodeterminação das nações.
A exploração de recursos naturais e a imposição de políticas entreguistas, como as que foram implementadas por Bolsonaro, reforçam a ideia de que a América Latina deve se proteger contra as ambições imperialistas. O desafio está em romper com a lógica de exploração que tem marcado a relação entre países periféricos e potências hegemônicas.
A vulnerabilidade financeira de nações como a Argentina ilustra como crises podem ser manipuladas por líderes como Milei para buscar apoio externo, enquanto práticas autoritárias se expandem sob a justificativa de segurança nacional.
Neste contexto, a ascensão de líderes autoritários, como Nayib Bukele em El Salvador, que se aliam a Trump, exemplifica a dinâmica de controle que se instaura na região. A busca por reeleições ilimitadas e a perseguição de opositores são sinais de um modelo que se perpetua à custa da democracia.
A necessidade de um modelo alternativo que priorize a soberania e o respeito pelas nações é urgente. A América Latina deve unir forças para resistir às pressões externas e construir um futuro que valorize seus recursos e seu povo.
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