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A conta da guerra do Irã: drones de US$ 20 mil contra mísseis de US$ 4 milhões

A guerra no Irã: drones de US$ 20 mil contra mísseis de US$ 4 milhões

02/03/2026 18h56

Atualizado 10 minutos atrás

Com apenas três dias de conflito, a situação no Irã se transformou em um intenso confronto de desgaste. As ondas de ataques com drones da República Islâmica pressionam as defesas dos Estados Unidos e de seus aliados, do Bahrein aos Emirados Árabes Unidos, esgotando rapidamente seus estoques de armamento. O desfecho da guerra pode depender de quem ficará sem munição primeiro.

Os drones suicidas Shahed-136, que são pequenos mísseis de cruzeiro com tecnologia simples, continuaram a atingir alvos pelo Oriente Médio nesta segunda-feira. Desde o início dos bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã, que começaram no sábado, esses drones têm mirado bases americanas, infraestrutura petrolífera e até prédios civis.

Os mísseis antimísseis Patriot, fabricados nos EUA, têm conseguido interceptar a maior parte dos Shaheds e de outros mísseis balísticos, com uma taxa de acerto superior a 90%, de acordo com informações dos Emirados Árabes. No entanto, o uso de um míssil de US$ 4 milhões para derrubar um drone de US$ 20 mil revela um problema que preocupa estrategistas militares ocidentais desde a guerra na Ucrânia: armas de baixo custo conseguem consumir estoques destinados a ameaças mais sofisticadas.

Na prática, tanto o Irã quanto os EUA correm o risco de ficar sem armamentos em questão de dias ou semanas. A capacidade de resistir mais tempo se traduz em uma vantagem significativa.

Os grupos aliados ao Irã já estavam debilitados após o conflito em Gaza, e a capacidade de mísseis do país foi afetada pelos ataques anteriores de Israel e dos EUA em uma guerra de 12 dias em junho. Desde então, Teerã intensificou as ameaças em relação a um ataque ordenado por Trump, ciente de que parte da base do presidente é avessa a guerras longas e confusas. O líder supremo Ali Khamenei, morto nos recentes ataques aéreos, havia advertido que uma ofensiva americana poderia incendiar toda a região.

“Do ponto de vista do Irã, uma estratégia de desgaste faz sentido operacionalmente”, afirmou Kelly Grieco, pesquisadora sênior do think tank Stimson Center. “Eles acreditam que os defensores vão esgotar seus mísseis interceptores e que a disposição política dos países do Golfo irá se fragmentar, aumentando a pressão sobre os EUA e Israel para interromper as operações antes que fiquem sem munições.”

Uma análise interna divulgada pela Bloomberg News indicou que os estoques de mísseis Patriot no Catar durariam apenas quatro dias, caso o ritmo atual de uso se mantenha. Nos bastidores, Doha defende um fim rápido para o conflito.

Após a guerra do ano passado com Israel, estimava-se que o Irã possuía cerca de 2.000 mísseis balísticos. O número de drones Shahed deve ser ainda maior. A Rússia, outro grande fabricante, tem produzido centenas de "kamikazes" diariamente, segundo análise de Becca Wasser, responsável pela área de defesa na Bloomberg Economics.

Desde o início do conflito, Teerã já disparou mais de 1.200 projéteis, muitos deles Shaheds. Isso sugere que o Irã pode estar reservando mísseis balísticos mais destrutivos para ataques prolongados, conforme aponta Wasser.

No lado iraniano, os militares parecem agir sem uma coordenação regular com a cúpula civil, incluindo o Ministério das Relações Exteriores, segundo o chanceler Abbas Araghchi.

“Nossas unidades militares hoje são, na prática, independentes e, de certo modo, isoladas. Elas estão atuando com base em instruções gerais que receberam anteriormente”, declarou Araghchi, veterano da Guarda Revolucionária Islâmica, em entrevista à Al Jazeera.

Por outro lado, Wasser considera improvável que os planejadores americanos tenham trazido munição suficiente para sustentar operações por quatro semanas, como afirmou o presidente Donald Trump.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, comentou em coletiva nesta segunda: “Isso não é o Iraque, isso não é uma guerra sem fim.”

Na defesa aérea, o Irã parece ter pouco com o que reagir. Os bombardeios iniciais atingiram suas baterias antiaéreas, incluindo os sistemas mais modernos, como os russos S-300. Desde então, caças americanos e israelenses têm operado no espaço aéreo iraniano sem relatos de grandes dificuldades.

Os EUA e seus aliados dependem principalmente dos sistemas Patriot, da Lockheed Martin, que disparam mísseis PAC-3. Apesar dos esforços do Pentágono para aumentar a produção, apenas cerca de 600 PAC-3 foram fabricados em 2025, segundo a Lockheed. Considerando a quantidade de drones e mísseis abatidos, é provável que milhares de interceptores já tenham sido lançados no Oriente Médio desde sábado.

Arábia Saudita e Emirados Árabes também utilizam o THAAD, outro sistema da Lockheed, projetado para interceptar mísseis mais sofisticados em altitudes elevadas. Esses mísseis são ainda mais caros, custando cerca de US$ 12 milhões cada, e dificilmente seriam usados contra alvos menos complexos.

Os EUA também têm utilizado caças em patrulha equipados com mísseis do sistema Advanced Precision Kill Weapon System, que custam entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por unidade, além dos custos de operação das aeronaves.

Soluções específicas para derrubar drones ainda são raras na região. Tecnologias como lasers, canhões automáticos e até “drones caçadores” se mostram alternativas mais baratas para proteger cidades e instalações, preservando sistemas caros para ameaças maiores.

O laser Iron Beam, desenvolvido pela israelense Rafael Advanced Defense Systems, foi criado exatamente para esse propósito, mas as Forças de Defesa de Israel informaram que ele ainda não foi utilizado neste conflito.

Se a intensidade atual dos ataques iranianos continuar, os estoques de PAC-3 na região podem se esgotar rapidamente, segundo uma fonte com conhecimento da situação. A falta de munição ofensiva também pode levar a um impasse.

“Enquanto isso, o Irã pode continuar usando seu estoque de mísseis e drones, mas o regime em si pode se manter, mesmo em meio ao caos”, afirmou Ankit Panda, pesquisador sênior do Carnegie Endowment for International Peace. “Pelas primeiras 60 horas de guerra, esse parece


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