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A Balança Comercial 2025 e o RN + Exportação
Zeca Melo – Superintendente do Sebrae-RN
A análise da Balança Comercial do Rio Grande do Norte entre 2016 e 2025, realizada pelo Sebrae, revelou resultados positivos, evidenciando um aumento no volume das exportações e a abertura para novos mercados. Contudo, o grande desafio é assegurar que esse crescimento beneficie os pequenos negócios, cuja participação no comércio exterior ainda é limitada. Essa situação contrasta com a importância desse segmento na economia potiguar, responsável por 98,14% dos empregos formais e 36,6% do Produto Interno Bruto estadual.
O perfil das empresas exportadoras também apresentou mudanças significativas. Durante o período analisado, houve crescimento em todos os portes. Entre 2008 e 2024, o número de microempresas exportadoras aumentou 46%, passando de 28 para 41. As empresas de pequeno porte tiveram sua participação dobrada, subindo de 10 para 20. As médias e grandes empresas continuam a liderar, com 153 empreendimentos registrados em 2024.
A base exportadora se transformou, e os protagonistas atuais são diferentes. O tungstênio, camarão, sisal e lagosta foram substituídos por petróleo, atum e, mais recentemente, ouro. A fruta tropical se tornou uma referência. A cultura exportadora, que antes mobilizava empresários para discutir questões fiscais e participar de feiras, precisa ser revitalizada para que novos setores econômicos consigam acessar novos mercados.
Diante do chamado "tarifaço americano", que afetou setores como pescado, sal e caramelos, o governo estadual convocou empresários potiguares para uma análise da situação, resultando em um documento coletivo enviado ao governo federal.
Visando a inclusão das pequenas empresas, foi proposto ao governo estadual o Programa RN + Exportação. A SEDEC aceitou a proposta e, em outubro, foi publicado o Decreto Estadual 34.967, formalizando o programa. O objetivo é fortalecer a cultura exportadora do estado, especialmente para micro, pequenas e médias empresas, através de capacitações e articulações comerciais, tornando-as mais competitivas no mercado global. O programa atenderá 100 empresas no primeiro ano, oferecendo diagnósticos, elaboração de mapas de oportunidades internacionais, precificação, adequação de embalagens, certificações e participação em feiras, rodadas e missões.
Os primeiros resultados do RN + Exportação já são visíveis. Na primeira semana de fevereiro, quinze empresários potiguares participaram de uma aproximação comercial em Dubai, apresentando seus produtos a mais de dez potenciais compradores do mercado árabe. Daniel França, da Zumm! Açaí, de Pureza, participou presencialmente, enquanto os demais empreendedores, preparados pela equipe do Sebrae, enviaram vídeos de apresentação. A ação, com apoio da Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes, destacou produtos como açaí, molhos artesanais, coco ralado, castanhas e atum fresco, evidenciando a diversidade e o potencial da produção potiguar.
O RN + Exportação contará também com a colaboração da Corimex – Comissão de Comércio Exterior da FIERN, do PEIEX, programa da APEX executado pelo SENAC no RN, e de outras iniciativas de sindicatos e associações, como o COEX – Comitê de Fruticultura do RN, visando consolidar a cultura exportadora e o apoio ao comércio exterior potiguar.
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