Almir Garnier Santos

A aposentadoria do ex-chefe da Marinha que advogado disse não ter recursos no julgamento do golpe

Aposentadoria do ex-chefe da Marinha em julgamento de golpe

A situação financeira do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, réu no núcleo da trama golpista, chamou a atenção durante a sustentação oral de seu advogado, Demóstenes Torres, no julgamento que ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF).

Demóstenes compartilhou uma história que ilustra a condição financeira de Garnier. “Um dia, o Almirante Garnier veio até mim. Eu senti pena, pois ele está prestes a completar 65 anos e não tem como pagar um advogado. Eu fiz algo e disse que não poderíamos proceder sem cobrar, mas ele não tinha dinheiro”, contou.

Além disso, o advogado mencionou que a mãe de Garnier, que completará 93 anos e sofre de Alzheimer, está morando em uma casa alugada na Penha, um bairro do subúrbio do Rio de Janeiro.

Quando questionado sobre os honorários acordados com Garnier, Demóstenes Torres não se manifestou.

Os dados disponíveis no sistema de transparência do governo indicam que, embora Garnier não tenha recursos para um advogado de alto nível — que pode cobrar honorários na faixa de um milhão —, ele possui uma aposentadoria de R$ 37 mil brutos, além de bonificações.

Após os descontos do imposto de renda, da pensão militar e do fundo de saúde, o ex-comandante líquido recebe cerca de R$ 25,1 mil. Em junho, seu contracheque chegou a R$ 56,3 mil, devido a uma gratificação natalina de R$ 18,7 mil.

Os proventos de Garnier são comparáveis aos de Paulo Sérgio Nogueira, outro réu da trama, que recebeu R$ 36,8 mil mensais e contratou um advogado de renome para sua defesa.

A fala de Demóstenes gerou estranheza entre os ministros do STF, especialmente pela mistura de temas diversos e pela utilização de mais de 20 minutos para elogios e anedotas que não se conectavam ao caso.

Além de alegar a falta de recursos, Demóstenes também fez declarações inusitadas, como sua simpatia por Bolsonaro e pelo relator Alexandre de Moraes, e mencionou a intenção de levar cigarros para o ex-presidente na prisão. Criticou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu a rescisão da delação de Mauro Cid, que revelou a ligação de Garnier com a trama.

A PGR acusa Garnier de ter sido o único comandante das Forças Armadas a apoiar o plano de Jair Bolsonaro para se manter no poder e evitar a posse de Lula. Essa informação foi corroborada pelos então chefes do Exército e da Aeronáutica.

Aos 64 anos, Garnier é o primeiro chefe de uma Força militar a ser julgado por golpe de Estado na Justiça comum. Ele foi nomeado por Bolsonaro em 2021, durante uma crise entre o presidente e a alta cúpula militar que resultou na demissão de vários comandantes.

Naquele período, Bolsonaro pressionou as Forças Armadas a intervir nas medidas de combate ao coronavírus, flertando até com a ideia de um Estado de Defesa, que mais tarde serviu de base para as minutas golpistas do processo.


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