Polícia Federal investiga troca irregular de ativos entre BRB e Banco Master
King Post | Divulgador de Notícias · 12 de set. de 2026, 19:13
BRB é investigado por substituição suspeita de ativos do Banco Master
A Polícia Federal está investigando indícios de que o Banco de Brasília (BRB) fez uma substituição de ativos fictícios que adquiriu do Banco Master por R$ 12,2 bilhões de forma incomum. Essa mudança ocorreu depois que o Banco Central tomou conhecimento de irregularidades na operação.
Documentação do Banco Central demonstra que as cédulas de crédito bancário que foram vendidas pelo Banco Master ao BRB jamais existiram. Os ativos surgiram da empresa Tirreno, que os vendeu ao banco administrado por Daniel Vorcaro, posteriormente transferidos ao BRB.
Após a fiscalização do Banco Central, a Polícia Federal relatou que a solução adotada por BRB e o Banco Master foi a anulação imediata da transação, impactando a instituição de Vorcaro.
"O que chama atenção é a habilidade do BRB em anunciar a troca dos créditos, sem mencionar a ausência de corresponsabilidade do Banco Master nas carteiras cedidas. A solução apresentada parece mágica e incompreensível, totalmente em desacordo com os termos do contrato", destaca o relatório da PF.
Além disso, segundo a investigação, a troca integral das carteiras infringiu o contrato, já que não foram respeitados os limites de exposição estabelecidos, que visam evitar enormes perdas financeiras em situações de falência.
Ainda assim, a PF notou que o Banco Master não disfarçou resistência à substituição dos ativos, permitindo que fossem escolhidos pelo BRB, de acordo com sua própria avaliação de quais créditos iriam substituir as CCBs inexistem.
A PF também observa a falta de pareceres jurídicos, avaliações técnicas e estudos sobre a viabilidade da nova composição, bem como a inexistência de legislação que respaldasse a substituição.
"Apesar de violar os termos contratuais, a substituição foi apresentada como um procedimento normal, automático e instantâneo", afirma o relatório.
Nesse contexto, a Polícia Federal considera que a substituição e as garantias adicionais constituíram um "cavalheirismo" do Banco Master, visto que não existia previsão contratual correspondente.
Por meio de nota, o BRB informou que sob a nova gestão da instituição foi realizada uma reestruturação total da diretoria executiva. O banco também tomou medidas para incrementar sua governança e controles internos, incluindo a contratação de auditoria forense independente para apurar os fatos relacionados às operações sob investigação.
"Os resultados da auditoria foram encaminhados às autoridades competentes, como Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público Federal, CVM e outras instâncias do Judiciário, para as providências cabíveis. O banco continua a agir em medidas administrativas, extrajudiciais e judiciais para proteger seus interesses e buscar a responsabilização dos envolvidos", informa a nota do BRB.