Esquema suspeito no RS gera milhões em prejuízos aos investidores

Nos últimos meses, os investidores acompanhavam o crescimento de seus aportes via internet, e muitos conseguiam retirar seus fundos sem problemas. Porém, a situação se transformou drasticamente no final de 2025, quando a plataforma cessou suas atividades e muitos usuários reportaram perda de acesso aos valores que investiram.
Este caso já está sendo investigado pela Delegacia de Proteção aos Direitos do Consumidor da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que contabiliza até o momento 21 ocorrências.
Na apuração, a polícia está averiguando a possibilidade de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, além de suspeitas de estelionato e lavagem de dinheiro.
A delegada responsável, Milena Simioli, informou que a referida empresa não tinha autorização do Banco Central para atuar como instituição financeira.
"Com as informações coletadas, temos motivos para acreditar que isso pode ser uma pirâmide", disse ela.
Esses esquemas muitas vezes utilizam o dinheiro de novos participantes para pagar os investidores anteriores. Assim, quando a arrecadação de novos recursos diminui, a estrutura entra em colapso.
A delegada também ressaltou que o intuito da investigação é determinar se houve má-fé na intenção de enganar os clientes para obter lucro.
"Estamos analisando o que os consumidores nos contaram para averiguar se a empresa pretendia prejudicá-los com o objetivo de obter ganhos financeiros," afirmou Simioli.
A defesa da Capittal X assegurou que a companhia operou de maneira regular desde 2019, e que os contratos apresentados aos clientes continham informações claras sobre os riscos de perdas financeiras.
Adicionalmente, os advogados afirmam que foram apresentadas opções de compensação aos clientes afetados e que a empresa está disponível para prestar esclarecimentos às autoridades.
Investimentos de economias e aposentadorias sendo comprometidos
Entre os lesados, constam servidores públicos, empreendedores e aposentados. Vários deles compartilharam ter direcionado economias acumuladas durante anos.
Um investidor, que preferiu permanecer anônimo, revelou que seus planos financeiros foram comprometidos:
"Tinha muitos projetos que agora ficaram inviáveis por causa dessa situação."
Outro cliente destacou a perda de um montante que representava a maior parte de seu patrimônio.
"Era todo o meu dinheiro economizado ao longo da minha vida. Agora estou sem nada", lamentou.
Algumas perdas chegam a ultrapassar um milhão de reais. Um dos investidores informou ter perdido entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão, provenientes de economias e da aposentadoria:
"Perdi muito. Até agora, tivemos dificuldade em recuperar qualquer quantia."
Outro cliente comentou que sua perda poderia ser equiparada ao valor de um veículo e que fazia investimentos em criptomoedas.
Os relatos também incluem aplicações em dólar e ações, com recursos transferidos por meio de transferências bancárias ou Pix para a empresa.
A posição da empresa
"A Capittal X, em resposta ao contato recebido via WhatsApp, esclarece que:
Desde 2019, a empresa atuou de forma regular no setor de criptoativos, intermediando a compra e venda de ativos, com sempre boa-fé e transparência, alertando todos os clientes sobre os riscos inerentes a esse mercado e a necessidade de cautela nos investimentos.
A entidade nunca garantiu retornos financeiros devido à alta volatilidade do mercado. Além disso, a cláusula que ressaltava os riscos de perdas estava claramente destacada nos contratos, garantindo que o investidor tivesse ciência dos riscos envolvidos.
Ao longo de suas operações, a empresa sempre enfatizou a importância de os investidores serem conscientes e avaliarem os riscos, o que pode ser comprovado por prints que demonstram essa comunicação.
Após anos de resultados positivos, a partir de 2022 a empresa começou a enfrentar dificuldades, influenciadas por acontecimentos inesperados no mercado de criptoativos, como a falência da Exchange FTX e o colapso da TerraLuna, que impactaram até mesmo o sistema bancário tradicional e diminuíram de forma drástica a liquidez.
Em 2025, novos problemas surgiram. A empresa enfrentou perdas financeiras significativas e uma pausa temporária nas operações devido à ativação do Mecanismo Especial de Devolução (MED) por um de seus clientes contra a Capittal X.
Além disso, o evento conhecido como “tarifaço” dos EUA contra a China provocou uma retração significativa, comprometendo a saúde financeira e a continuidade das atividades da empresa, resultando em perdas consideráveis. Em janeiro deste ano, a empresa não teve alternativa senão suspender suas operações.
Com a transparência que sempre caracterizou suas ações, os sócios imediatamente informaram os clientes e colaboradores sobre a situação, e desenvolveram estratégias de compensação, que foram apresentadas a todos os usuários, através de e-mails e encontros virtuais, embora sempre tenha havido ênfase nos riscos das operações. Importante mencionar que uma parcela significativa dos clientes já concluiu acordos de reparação patrimonial.
Os sócios também se mostraram disponíveis para prestar esclarecimentos às autoridades quando solicitados, apresentando todas as evidências que comprovam que nunca agiram de má-fé ou com a intenção de lesar seus clientes.
A empresa reafirma seu apoio a todos os seus clientes e permanece disponível às autoridades para quaisquer esclarecimentos adicionais.
Porto Alegre/RS, 17 de outubro de 2026.