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Política

Churrasqueira de Ciro Nogueira abriga lista com parlamentar e informações financeiras

Maxx Console · 12 de set. de 2026, 21:33

Uma colaboradora da residência relatou que foi instruída a eliminar documentos por serem de natureza antiga. Entretanto, a apuração da Polícia Federal não avançou neste aspecto.

Durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que ocorreu em maio passado, a Polícia Federal identificou um conjunto de papéis na churrasqueira da residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), contendo uma lista de "nomes" de deputados e possíveis "valores".

O local, situado no Lago Sul, uma área de elite em Brasília, foi onde a funcionária declarou ter sido orientada pelo senador a incinerar os documentos antigos, mas essa medida não foi implementada devido à falta de disponibilidade.

O documento da PF não esclarece a data em que este direcionamento foi dado por Ciro Nogueira.

"Na churrasqueira, estavam documentos que, segundo Débora, foram entregues pelo investigado para que fossem queimados, por serem considerados 'ultrapassados ou sem uso'. Agora, essa documentação será avaliada pela equipe responsável pela investigação", afirmaram os investigadores.

Entre os papéis estava um que apresentava a palavra "Câmara", com uma lista de nomes acompanhados de números que a PF acredita serem "valores" (veja na imagem acima). Os nomes listados incluíam:

  • Arthur, 40;
  • Hugo, 10;
  • Elmar, 10;
  • Luizinho, 10;
  • Adolfo, 10;
  • Isnaldo, 10;
  • Diego, 5;
  • Altineu, 5;
  • Netinho, 5.

"Os investigadores encontraram um rascunho rotulado 'CAMARA', seguido de diversos nomes que podem referir-se a parlamentares, como 'ARTHUR' (possivelmente Arthur Lira), 'HUGO' (provavelmente Hugo Motta), 'ELMAR' (provavelmente Elmar Nascimento), 'LUIZINHO' (pode ser 'Doutor Luizinho'), 'ADOLFO' (provavelmente Adolfo Viana), 'ISNALDO' (pode ser Isnaldo Bulhões), entre outros", indicou a PF.

"Além disso, ao lado de cada nome estavam números que possivelmente representam valores, o que demanda esclarecimento", complementou a equipe policial.

A assessoria do deputado Arthur Lira (PP-AL) afirmou que ele "não tinha conhecimento das anotações mencionadas e, portanto, não pode ser responsabilizado pelo registro" encontrado pela PF.

Por sua vez, a assessoria de Hugo Motta declarou que o atual presidente da Câmara não irá se manifestar.

Em uma declaração ao g1, o deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA) repudiou "categoricamente" qualquer alusão ao seu nome, especialmente em um registro que classificou como "anônimo". Ele ainda afirmou que não é membro do partido de Ciro Nogueira e que nunca atuou politicamente em conjunto com o senador do PP.

"Estamos passando por uma situação escandalosa na política, quando o foco deveria estar nas ações de policiais desonestos. Nunca tive qualquer relação que justificasse a inclusão do meu nome em tal contexto", declarou.

O g1 também buscou contato com as assessorias de Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões, além de tentar alcançar as equipes dos outros citados. O espaço está aberto para comentários de todos os envolvidos.

Além disso, a PF acrescentou que Ciro Nogueira e Jaques Wagner teriam recebido propinas que somam altos valores em troca de favores para o Banco Master.

O relatório da PF referente à operação na residência de Ciro Nogueira revelou um "alto padrão de vida", evidenciado pela presença de garrafas de vinhos e uísques de alto padrão, além de "várias bolsas de marcas luxuosas".

"A operação também indicou elementos de elevado padrão econômico com a identificação de uma adega repleta de vinhos e whiskies de alto valor e várias bolsas de marcas renomadas. No closet, encontraram-se diversas malas vazias com etiquetas de terceiros, inclusive de familiares do investigado, levantando suspeitas sobre o transporte de valores", conclui o relatório da PF.

#Operação Compliance Zero#Polícia Federal