BRB teria feito troca "mágica" de ativos do Banco Master, aponta PF
King Post | Divulgador de Notícias · 12 de set. de 2026, 19:17
Polícia Federal revela que ativos do Banco Master foram trocados pelo BRB de forma "mágica"
Uma investigação realizada pela Polícia Federal indica que o Banco de Brasília (BRB) substituiu de maneira simples e rápida os ativos não existentes do Banco Master, que foram adquiridos por R$ 12,2 bilhões. A operação levantou bandeiras vermelhas quando o Banco Central começou a identificar algumas inconsistências.
De acordo com documentos do Banco Central, as cédulas de crédito bancário que foram vendidas pelo Banco Master ao BRB não tinham existência real. Os ativos gerados pela empresa Tirreno foram vendidos inicialmente a Daniel Vorcaro e, em seguida, enviados ao banco de Brasília.
Após a fiscalização por parte do Banco Central, a Polícia Federal constatou que a solução que o BRB e o Banco Master encontraram foi o desfazimento do contrato em tempo recorde, impactando diretamente o banco de Vorcaro.
"A velocidade com que o BRB apresenta a troca dos ativos é surpreendente, sem mencionar o fato de que o Banco Master não era corresponsável pelas carteiras transferidas – a solução dada pelo banco estatal parece ocorrer de forma mágica, totalmente em desacordo com as previsões contratuais", destaca o relatório.
A investigação revela que a troca total das carteiras desrespeitou o acordo firmado entre as partes, uma vez que violava o limite de exposição que o Banco Master deveria observar para evitar perdas substanciais em casos de insolvência de contrapartes.
Ainda assim, a Polícia Federal observou que, surpreendentemente, o Banco Master não se opôs à transferência dos ativos, permitindo que o BRB escolhesse os novos ativos conforme critérios definidos pelo próprio banco.
Além disso, a investigação da PF menciona que não foram obtidos pareceres legais, manifestações de áreas técnicas, ou análises sobre a viabilidade dessa substituição, nem legislação que a respaldasse.
"A subsequente troca, mesmo que em desacordo com o contrato, é formalmente apresentada como um processo natural, automático e instantâneo", informa o documento.
Dentro desse cenário, a Polícia Federal sugere que a troca e garantias oferecidas foram uma forma de "cavalheirismo" do Banco Master, já que não havia previsão contratual para tal.
Em resposta a essas alegações, o BRB declarou que a nova gestão implementou uma renovação total de sua diretoria e criou ações para reforçar os controles internos, incluindo a contratação de uma auditoria forense independente para investigar as operações que estão sendo analisadas.
"Os achados da auditoria foram enviados às autoridades pertinentes, como a Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público Federal, CVM e outras instâncias judiciais, para que possam ser tomadas as providências adequadas. O Banco também vem tomando medidas administrativas, extrajudiciais e judiciais para proteger seus interesses e buscar a responsabilização dos envolvidos", afirmou o Banco de Brasília.